10 horas de atraso


Acabamos de voltar de umas férias no Brasil. Por isso o silêncio por aqui. Foi pouco tempo, 10 dias, mas de longe a melhor visita ao Brasil desde que moro em Londres. Talvez o segredo seja esse: ir com mais frequência mas ficar menos tempo.

Essa foi a primeira vez que viajamos pra São Paulo fazendo conexão. Os preços das passagens estão exorbitantes, então optamos por fazer um trajeto longo, mas que nos custou metade do preço de um vôo direto: fomos vias Estados Unidos. Ou seja, em vez de um vôo longo pra cada perna, foram dois.

Na ida a troca de avião foi em Chicago, com uma diferença de três horas entre chegar de Londres e embarcar pra São Paulo. Na volta a troca foi em Newark (em New Jersey, um dos aeroportos que servem Nova York), e também seria de três horas. Ou seja, o suficiente pra passar na imigração, esticar as pernas, comer algo. Nem corrido, nem muito demorado.

Os vôos de ida deram super certo. Mas na volta, assim que chegamos em Newark, descobrimos que o nosso vôo para Londres estava atrado DEZ HORAS. E pra piorar, a United Airlines foi muito rápida em nos informar que não nos deviam nada, já que as leis nos Estados Unidos são diferentes das leis Na Europa. Ou seja: eles não nos dariam um hotel ou uma compensação financeira. No máximos, uns vouchers para refeição dentro do aeroporto mesmo (porque são bonzinhos, não porque são obrigados). Não nos deram nem mesmo acesso a uma sala vip onde poderíamos tomar banho, comer e descansar. Tínhamos que esperar o vôo quietinhos.

Mas melhor do que ficar um dia inteiro mofando no aeroporto é passear em Nova York. Não pensamos duas vezes. Pegamos o trem e em uma hora estávamos em Manhattan. Eu com a minha bolsa super pesada (comprei uma esculturinha em uma loja de artesanato em Santa Catarina e preferi não depachar com medo de que ela quebrasse) e a sacola do laptop a tiracolo. O Martin com a mochila que, entre outras coisas, continha meu livro de 900 páginas e minha super almofada de avião (antes que alguém pergunte por que não deixamos em um guarda volume: só abriria às 8 da manhã e estávamos prontos pra ir já às 7). Nós dois com aquela nhaca de avião, desodorante quase vencido, cabelos mega desgrenhados. Mas NY logo ali né?

Já no trem mandei mensagem pra duas amigas que moram lá, e assim tivemos a companhia maravilhosa de pessoas que eu amo de paixão. Deu pra fazer um tour interessante de Manhattan (foi a primeira vez que voltamos lá juntos desde 2005 quando fomos na nossa lua de mel), passando pela minha loja preferida, por Wall Street pra ver a Fearless Girl, pelo novo World Trade Center e finalizando com um almoço no Eataly.

Então, a United acabou me fazendo um grande favor.

Já estamos em casa, descansados e limpinhos, com as malas desfeitas.  Esse encerramento das férias de maneira totalmente inesperada foi  a cereja do bolo!

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Leitura: Why I'm No Longer Talking to White People About Race, Reni Eddo-Lodge


Esse livro é tão bom, mas tão bom, que me sinto idiota escrevendo sobre ele. E o título não é um "click bait", é simplesmente um desabafo. É um chamado. É um tapa na testa, um soco no estômago, é uma convocação. Muito didático, muito bem escrito. Tem fatos, tem estatísticas, tem relatos pessoais.

O livro basicamente mostra como o racismo é enraizado na sociedade britânica. Como esse país está muito longe de ser um país tolerante. Explica exatamente o que é privilégio branco, o que é interseccionalidade, o que é racismo estrutural, e por que ela está de saco cheio de educar e argumentar com brancos.

Espero que ele seja traduzido para todos os idiomas existentes (por mais que seja focado na sociedade britânica, pode ser facilmente adaptado para tantos outros países), mas se você lê em inglês, comece a ler esse livro já.



A estante


As mudanças decorativas aqui de casa não são muito planejadas. Claro, tem coisas que eu gostaria de fazer mas tomam muito tempo e dinheiro (adoraria trocar todos os armários da cozinha, por exemplo), mas as que não envolvem reforma (quebra quebra) acabam sendo decididas do dia pra noite. O problema é que quando eu decido eu quero fazer naquele exato momento. Pode estar caindo o mundo, mas eu vou adicionar mais essa dor de cabeça para a lista de perrengues do momento.

E foi numa dessas que eu decidi eliminar minha escrivaninha e umas estantes e substituir tudo por um modelo simples, branco, pra deixar a sala mais uniforme. Era assim:

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A inspiração foi essa:



E três idas a Ikea depois (no espaço de 2 semanas), ficou assim:

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Moramos nesse apartamento desde 2011, e e impressionante como essa mudança deixou o espaço com outra cara. Como a estante é fina, temos mais espaço de circulação e também tenho a impressão de que entra mais luz (claro que o branco da estante ajuda). Em vez dos meus cacarecos e livros estarem espalhados pelas prateleiras, mesa de trabalho e estantes de aço, agora estão todos em um mesmo lugar. E o melhor de tudo foi que, depois de anos, arrumei espaço para a poltrona da foto. Essa poltrona também veio do Brasil, mas como não tinha onde colocá-la, estava desmontada e guardada.

Como uma coisa leva a outra, acabei tirando os dois banquinhos que usava como mesa lateral de um dos lados do sofá (coloquei eles embaixo da televisão, ao lado da estante, ainda não tenho foto). Eram esses banquinhos aqui:

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Esse cantinho agora está assim:

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Ah, bastante gente me perguntou nas redes sociais onde eu coloquei a escrivaninha, já que trabalho de casa. Bom, eu passei ela pra frente, não está mais comigo. Resolvi usar a mesa de jantar para trabalhar. Afinal, só preciso do meu computador e da minha agenda. Era muita mesa pra um apartamento só! Estou trabalhando daqui já há alguns dias e achando ótimo. Não gosto de ficar horas na frente do computador de qualquer maneira, sempre acabo revezando, vou um pouco pro sofá, ou faço algum serviço doméstico, ou vou no supermercado... enfim, tento deixar meu dia mais dinâmico.

1 ano de Lawa


Semana passada completei um ano trabalhando part time como voluntária para a LAWA, sobre a qual já falei aqui tantas vezes. E não dá pra não cair no clichê de falar que entrei aqui para ajudar e acabei sendo ajudada.

Quando entrei aqui estava numa fase bem ruinzinha, me sentindo a maior das perdedoras. Havia deixado meu trabalho fixo há alguns meses, não estava me adaptando a vida de freelancer e não conseguia planejar os próximos passos. Hoje, um ano depois, estou prestes a começar um mestrado e orgulhosa de ter ajudado (e continuar ajudando) essa instituição a seguir em frente.

Uma das coisas que mais senti falta quando deixei o trabalho fixo para trás era ter um time. Estar com pessoas, ter um projeto coletivo, fazer parte de um grupo. E a LAWA fez tudo isso por mim. Convivo com mulheres maravilhosas, que com pouquíssimos recursos ajudam outras mulheres. Aprendi sobre captação de recursos, sobre o funcionamento deuma ONG, e, infelizmente, sobre a gravidade da violência doméstica e o tanto que estamos alheios a isso.

Acho que esse é o aniversário de trabalho que mais gostei de comemorar : )



Para fazer uma doação para a nossa campanha de financiamento coletivo, clique aqui.

Leitura: Purple Hibiscus, Chimamanda Ngozi Adichie


Esse é o quarto livro que leio dessa autora, e vou fazer aqui uma comparação meio esquisita: eu acho ela meio  a Jane Austen do nosso tempo. Tão brilhante quanto. E as duas usam suas histórias como pano de fundo para críticas sociais: Jane Austen de forma um pouco mais "escondida" (até mesmo como forma de auto proteção), coisa que a Chimamanda já deixa bem claro logo nas primeiras páginas.

Eu achei esse livro maravilhoso, ainda melhor que o Americanah, que foi o primeiro dela de ficção que li (já li também os dois que ela lançou sobre feminismo). A história de passa na Nigéria, e a personagem principal é uma adolescente, Kambili. O pai é um homem rico, poderoso e extremamente religioso. E violento.

Eu tenho uma penca de livros na minha estante aguardando sua vez, mas acho que vou comprar os outros dois de ficção dela que ainda não li pra furar a fila!



Leitura: A Room of One's Own, Virginia Woolf


Esse era um dos livros que eu, como feminista ativista, achava que tinha obrigação de ler. Mas estava adiando pelo simples fato de que já havia tentado ler outro livro da Virginia Woolf e falhado miseravelmente. Do tipo, ler uma página, reler e continuar sem entender absolutamente nada. Super difícil. Mas como duas amigas me falaram que esse não era assim tão complicado, decidi encarar antes de começar o mestrado (já estou me achando atrasada antes mesmo de começar as aulas, vejam bem).

Olha, realmente é um livro incrível e agora tenho certeza de que é imprescendível (principalmente para mulheres criadoras de conteúdo). Mas é sim difícil e prolixo, talvez não tanto como os de ficção que ela escreveu, mas é. A boa notícia é que não é preciso decifrar todas as sentenças e parágrafos, porque dá pra compreender o contexto: o fato de que as mulheres estão em desvantagem no mundo literário (e como eu mencionei, acho que dá pra aplicar pra qualquer tipo de conteúdo, escrito ou gráfico).

Talvez esse tenha sido meu primeiro e único livro da Virginia Woolf, mas talvez o que ela achasse mais apropriado pra mim : )

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Quanto menos eu escrevo..


...mais difícil fica de voltar a postar!

Tenho tido semanas bem atribuladas, emendei uma viagem na outra (uma com o Martin e outra pelo blog) e chegando em casa resolvi fazer umas mudanças na decoração da sala. Então, ao mesmo tempo que subo 30 giga de arquivos de vídeo (feitos na viagem pelo blog) e monopolizo a internet aqui de casa há mais de 72 horas (sim, nossa internet é lenta), tento não tropeçar nos livros e objetos espalhados pelo chão da sala, que precisaram vir abaixo para podermos desmontar os móveis antigos e montar os novos.

UFA.

Mas né, pra que ficar em casa e colocar a vida em ordem, escrever nos blogs e deixar a casa minimamente decente se hoje, feriado, fez um dia maravilhoso de sol?

Leitura: Why I Am Not A Feminist (A Feminist Manifesto), Jessa Crispin


Apesar do título apelativo, não se engane: esse é um livro sobre feminismo. Mas é bem diferente de todos os outros que já li, pois tem uma abordagem bem mais agressiva ("pé na porta", como a gente gosta de falar no Conexão Feminista). É um livro que critica o feminismo individualista, ou melhor, o feminismo que convém a população privilegiada.

Para a autora, o movimento feminista de hoje (pelo menos o predominante, liderado por mulheres brancas de classe média) é conveniente para poucas privilegiadas. Ela acredita que o feminismo não deve se adaptar a cultura, e sim transformá-la. Por exemplo, ela diz que exigir que empresas tenham o mesmo número de mulheres em homens em cargos de liderança não vai trazer resultado nenhum, pois as mulheres que são beneficiadas acabam tornando-se coniventes com o sistema opressor.

Eu fiquei bem mexida com a leitura e comecei a repensar meu próprio ativismo. Também gostei da maneira dela de escrever, sem fazer rodeios, sem ser gentil. Tem um ou outro argumento que não me convencem, mas só o fato de ela fazer eu mesma me questionar, já é um ótimo resultado.

Tentativas


Esses dias me dei conta de quanta coisa diferente estou experimentando esse ano. Algumas deram certo, outras não gostei, mas o fato é que ando mais animada para tentar fazer atividades que há alguns anos teria dito não sem pensar duas vezes. Sei lá porque.

Hoje por exemplo vou pela segunda vez fazer escalada indoor. Fui pela primeira vez semana passada e achei bacana (estou querendo encontrar algum exercício que me faça mexer os braços), apesar de que é intimidante ir subindo com todo mundo olhando lá embaixo.

Outra coisa nova que fiz foi passar um fim de semana em um barco, para aprender o básico de velejar. Achei uma escola na Isle of Wight (uma ilha no sul da Inglaterra) dedicada a ensinar apenas mulheres, então lá fui eu. Dessa vez não gostei muito. Quer dizer, gostei de estar no barco, mas não gostei do esporte em si.

E sem contar o Kilimanjaro né? Que além do trekking em si envolver diversas coisas novas, que eu nunca tinha feito antes (e que sempre jurei de pé juntos que não era 'meu estilo') como por exemplo acampar e (pasmem) tomar sopa.

Acho que estou tentando aproveitar ao máximo essa vida boa antes de começar o mestrado daqui a pouco mais de um mês (outra coisa nova!). Tô com uma ânsia de leitura, tentando terminar o máximo de livros que puder, com medo de não ter tempo de ler mais nada que não seja relacionado ao curso no próximo ano.

Queria ter mais vontade de contar todas essas experiências novas em detalhes aqui no blog. Elas acabam sendo compartilhadas nas redes sociais, e parece que quando escrevo aqui, já não é mais novidade. Mas enfim, o registro está feito, ainda que superficialmente!

Leitura: Anything is Possible, Elizabeth Strout


Eu li um livro dessa mesma autora (My Name is Lucy Barton) ano passado, e adorei. Acho que já comentei anteriormente o quanto gosto de histórias desse tipo, de vidas "ordinárias". Tipo o Stoner, que também é sensacional. Admiro demais escritores que conseguem transformar "vidas simples" (Eu coloco entre aspas porque não sou tão boa escritora e não consigo achar uma expressão melhor que essa. Vida simples nesse caso não quer dizer desinteressante, apenas o tipo de coisa que geralmente não encontramos na ficção) em histórias bonitas, gostosas de ler.

Então, quando vi esse livro, comprei sem nem ler a contra capa. E pra minha surpresa, ele tem uma ligação com o My Name is Lucy Barton. Não que você tenha que ter lido um para entender o outro, mas eles tem uma conexão. São várias pequenas histórias de pessoas que estão conectadas de alguma maneira. Por exemplo, o irmão da Lucy Barton. Aí no próximo capítulo é a história do vizinho desse irmão. E assim por diante. O personagem é figurante em um capítulo e principal no próximo. Achei muito bom mesmo e li em menos de uma semana (tudo bem que ter feito uma viagem de trem ajudou né, usei as 2 horas da ida e as 2 horas da volta pra adiantar bem a leitura!).




Martin emocionado


Desde que voltamos do Kilimanjaro, o Martin tem feito alguns vídeos da viagem, que estavam sendo produzidos e publicados em ordem cronólogica. Logo que chegamos ele estava naquela empolgação (que eu também tava né? Escrevi um post atrás do outro lá do Aprendiz de Viajante) e os primeiros vídeos saíram bem rapidinho, um atrás do outro.

Aí, finalmente, ficou faltando só o último vídeo. O vídeo do ataque ao cume. O mais esperado! Só que tinha um problema: a gente tinha pouco material, pois a subida ao cume é uma coisa meio surreal e a última coisa que a gente pensava era fotografar ou filmar. Até porque é uma função tirar as luvas, pegar a câmera no bolso do casaco... e estava muito escuro, e as nossas câmeras não são aquelas mega potentes. Não sei se já falei, mas logo em uma das primeiras paradas que fizemos, eu tirei minha luva pra pegar um lanchinho na mochila, e vi que as minhas mãos estavam brancas, congeladas. Aquela visão me assustou muito e eu decidi não tirar mais as luvas dali em diante. Só fui fotografar de novo quando o sol nasceu, e o Martin a mesma coisa com a filmagem.

Mas enfim, o vídeo saiu, e a solução foi muito boa, rolou uma narração do Martin e uma declaração engraçada que envolve ele dizendo que nunca havia se emcionado tanto assim, nem mesmo no dia que se casou (valeu, amor!!!).

Aí está, o vídeo do cume... prepara o lencinho se você é de chorar!

Mantchestá


Não é Manchéstêr. É Manctchestá! Ou Manchester mesmo, se você tiver a pronúncia apropriada (que eu não tenho). Bom, estive lá no último fim de semana. Foi uma dessas viagens que as vezes faço pelo Aprendiz de Viajante, como já expliquei aqui.

Achei Manchester um mix de Hamburgo (prédios de tijolo vermelho), Munique (não sei explicar exatamente o porque, mas achei parecido) e Bristol. Ou seja: muito legal. Fiquei realmente encantada de como a cidade é "cool", e do tanto de atração turística que tem. Também fiquei impressionada - a mesma palavra mas com um sentido diferente - com a pobreza. Não esperava ver tantos moradores de rua, acho que ainda mais (porporcionalmente) do que em Londres.

Tive a oportunidade maravilhosa de ver a casa onde surgiu o movimento sufragista liderado por Emmeline Pankhurst e também a casa onde morou Elizabeth Gaskell. Só isso já valeu o deslocamento!

Eu não estava em Manchester sozinha, o Visit Manchester convidou um total de 75 blogueiros e instagrammers. E sim, tem muito a ver com o atentado que aconteceu no show da Arianna Grande há um tempo, que atingiu o turismo na cidade em cheio.

Bom, no que depender de mim, vou insistir pra todo mundo que tem uma viagem planejada a Inglaterra ir pra lá. Eu espero voltar em breve com o Martin a tiracolo!

Ah, pra quem tem Instagram, vejam a hashtag #workerbeeweekender, que foi utilizada por todo mundo que passou esse fim de semana lá junto comigo!







Leitura: Les Parisiennes, Anne Sebba


Vai parecer contraditório, mas esse livro é cansativo e muito bom. Demorei muito pra terminar (curiosidade: ele foi pro Kilimanjaro comigo, achei que teria tempo de sobra pra ler quando estivéssemos nos campings, mas não peguei ele um dia sequer durante e expedição. Estava tão absorvida na aventura que nem lembrava do livro), e gostei muito mais dele do meio pro final.

Les Parisennes abrange toda a década de 1940 em Paris - óbvio - e mais precisamente como as parisienses viveram e sobreviveram a ocupação da cidade pelos nazistas e os campos de concentração. E, o que pra mim foi o mais interessante, como elas foram parte vital para o movimento de resistência e espionagem.

O livro é cansativo porque cita centenas de nomes em todos os parágrafos. E as vezes esses nomes aparecem várias vezes e fica impossível lembrar o que a autora havia falado da pessoa lá no começo. Ainda mais que eu tive essa pausa na leitura durante o Kilimanjaro, quando retomei fiquei perdidinha.

A parte após a libertação de Paris e logo depois o fim da guerra também me impactou muito. A misoginia e o descaso do governo e da população com as mulheres sobreviventes e resistentes chega a doer no estômago. Quando a gente fala que a história é escrita por homens, sobre homens e para homens não estamos exagerando. Leiam esse livro e vocês terão uma ideia de como o legado de mulheres é apagado e esquecido.




Limitações bloguísticas


Lembro quando um colega de trabalho lá no Brasil me falou: achei seu blog. Sabe quando dá aquele embrulho no estômago, aquele calor interno, que a gente só sente quando alguma coisa deu muito, muito errado? Isso era lá por 2007 e ainda era relativamente fácil manter um segredo digital. O que facilitava muito a minha vida, eu escrevia qualquer bobagem e transformava qualquer episódio da vida cotidiana em post.

Tinha várias amigas e amigos próximos que não sabiam do blog, nem minha família, nem chefe, nem ninguém. Hoje o negócio é bem diferente! O que eu acho ótimo, mas por outro lado tira a espontaneidade dos posts. Pelo menos no meu caso. Não que eu queira falar mal das pessoas (talvez), mas dá medo de usar uma conversa, uma briga ou uma curiosidade da vida alheia como inspiração. Até porque quando a gente escreve, a turma lê e interpreta como quer. 

É aquela coisa né? Tipo publicitário famoso que fala que empoderamento feminino é clichê porque não consegue mais vender campanha com mulher de biquini pra vender de carro a cerveja. Tem que exercitar os neurônios e tentar ser um pouco mais criativo. No meu caso, preciso achar um jeito de encontrar graça na rotina pra fazer esse blog seguir em frente sem a anonimidade pra me proteger : )

Fenômeno Digital


Não sou eu (nem minha mãe) que estou dizendo. É o povo do Brazilian International Press Award que achou que o conteúdo que eu e a Renata produzimos no Conexão Feminista é bom o suficiente para concorrer a um prêmio na categoria Fenômeno Digital (voto popular).

Fenômeno Digital!! Influenciadora? Pfff, que bobagem. Sou fenômeno. Ou melhor, concorrente a fenômeno.

Então queridos leitores, que eu desaponto com falta de posts dia após dia, já que vocês tem tempo de ler esse blog, cliquem aqui nesse link e votem em mim (tem outras categorias também). Eu juro que se eu me tornar um fenômeno premiado o sucesso não vai me subir a cabeça. Talvez suba. Ok, não prometo nada, mas vou mendigar voto mesmo assim.

VOTA VOTA VOTA (e vota de novo amanhã)

Kiliqueridos


Se viajar com amigos já é algo arriscado, imagina viajar com um grupo de mais de 20 desconhecidos? Passar perrengues, ter conversas escatológicas, fazer todas as refeições juntos... tem tudo pra dar errado! Mas, pra minha surpresa, deu certo.

Com a Pati, que me falou "eu amo Londres" na noite antes de começarmos a expedição, ainda no hotel. Daí pra frente, ladeira acima (literalmente e metaforicamente)

O Sérgio sentou ao nosso lado no jantar no hotel, no dia que todo mundo chegou e ninguém se conhecia. Há cerca de 5 anos ele foi diagnosticado com um linfoma, e decidiu que caso se recuperasse, iria pro Kilimanjaro. Check!
Não sei se em outro contexto esse grupo teria dado certo. Obviamente não jurei amizade eterna pra todo mundo - sempre tem gente com quem temos mais e menos afinidade - mas terminamos nossa expedição sem desentendimentos. 

Quando a expedição chegou ao fim, todo mundo foi pra casa. A Mari e o Paulo foram pro interior da Tanzania e construíram uma escola. Como não jurar amizade eterna? Mais dois integrantes da querida turma do fundão. Chegamos junto com eles no cume (e com a Fabi, mas não tenho foto dela!!), nunca vou esquecer. 
Alguns dos integrantes da expedição ja se conheciam de uma viagem anterior para o acampamento base do Everest, mas muitos de nós tivemos um dia apenas para decorar os nomes e trocar aquelas informações básicas (da onde você é? o que você faz? já fez alguma outra viagem desse tipo?). E aí, de refeição em refeição, de trekking em trekking, começam as conexões "especiais". A gente acaba sentando do lado das mesmas pessoas no almoço, no café e na janta. E nas paradinhas pra água ao longo dos muitos quilômetros rumo ao cume, quando nos damos conta estamos descansando junto a essas mesmas pessoas.

Eu adorei dividir essa experiência com cada um deles. Longas horas de papos profundos com alguns, diálogos mais curtinhos com outros, mas a vontade é de voltar no tempo e fazer exatamente a mesma viagem como exatamente o mesmo grupo.

Eu, Paulo, Mari e Pati. Muitos lanchinhos divididos nessas paradas

Mestrado


Pois é, eu vou fazer um mestrado. Que alívio que me dá falar isso, depois de um fim de 2016 e começo de 2017 meio chatinhos. Agora, com a decisão tomada (e, mais importante, com a vaga conquistada oficialmente), sinto que tenho controle da minha vida novamente (olha o drama!).

Mas vamos ao que importa. O nome do meu curso é Gênero, Mídia e Cultura (em inglês: Gender, Media and Culture). Eu estava procurando algum curso sobre história do Feminismo, e quanto mais eu colocava no Google, mais esse resultado aparecia. Nas primeiras buscas eu ignorei o resultado assim que vi o "MA" (abreviação em inglês que indica que o curso é um mestrado), mas toda palavra chave que eu colocava, resultava nele.

Até que resolvi entrar no site e dar uma olhada. E parecia perfeito pra mim. Não apenas as matérias, a essência e as possibilidades de tese, mas pra melhorar a universidade é bem perto da minha casa. Olhei os requisitos necessários, vi que não teria grandes burocracias para me candidatar e corri atrás dos documentos: diploma, referências, uma carta explicando a razão do meu interesse. Somei a esse material todas as colunas que já publiquei no Brasil Observer, os hangouts do Conexão Feminista e tudo mais que eu achei que poderia me ajudar.

Mandei tudo e precisei esperar. E essa espera foi horrível. Não sabia o que fazer: continuava procurando emprego? E se conseguisse um trabalho e também a vaga do mestrado? E se não conseguisse nenhum dos dois? Receberia o atestado de fracassada pelo correio (drama, parte 2)? Resolvi não falar pra muita gente, porque tinha medo de não ser aceita e depois ter que lidar com todo mundo perguntando "e o mestrado?".

Aí, finalmente, 3 meses depois, chegou a resposta. Mal tive tempo de comemorar, pois a oferta da vaga vinha com uma condição: fazer o IELTS, o exame de inglês sobre o qual já falei aqui. Por essa eu não esperava, e tentei argumentar com a universidade. Mandei meu certificado de Cambridge, mandei as matérias que escrevi em inglês quando estava trabalhando e tudo mais que me ajudaria a provar que sim, que eu tenho capacidade de fazer um mestrado em inglês. Mas não adiantou e lá fui eu fazer a prova. Como vocês já sabem, no fim deu tudo certo.

Então é isso. Estou aproveitando e muito meu verão inglês antes que as aulas comecem no fim de setembro. Ando com a agenda cheia: encontros, shows, meus compromissos com a LAWA, meus frilas, blog, Conexão Feminista e umas viagenzinhas a vista antes da vida acadêmica começar. Mas já estou tendo um gostinho de como vai ser, pois essa semana recebi email do coordenador do curso, solicitando uma dissertação e "recomendando" diversas leituras.

Ah, os livros. Vou sentir falta de ler o que eu quiser, quando eu quiser. Será um ano intenso. Já me dá saudades do limbo.

Leitura: Quando a Lua Canta para o Lobo (Uma Ópera Licantrópica), Bárbara Axt


Esse é um livro especial. Primeiro, porque foi escrito por uma amiga, a Bárbara. Segundo, porque foi o primeiro livro que li em formato digital. Não, não me tornei adepta ao Kindle ou afins, mas é que tive o privilégio de ser uma "beta reader". Isso quer dizer que a Bárbara me mandou o manuscrito, para que eu lesse e desse minha opinião. Legal, né?

Confesso que estava um pouco ansiosa: e o medo de não gostar de um livro escrito por uma amiga? Eu já sabia (e ela também) que esse não é o estilo de leitura que eu gosto (fantasia/sobrenatural), mas eu jamais deixaria passar uma oportunidade dessas.

E não é que eu gostei, e muito, da história? Li em questão de dois dias, coisa bem atípica pra mim. Eu ia lendo e mandando perguntas/comentários pra Bárbara, e fiquei super empolgada de acompanhar a produção. Afinal ela não só escreveu como também produziu e lançou de forma independente. Ou seja, o livro está sendo vendido diretamente pelo site dela, tanto em formato impresso como em ebook. Você pode comprar aqui e apoiar uma escritora!

O livro se passa em Londres, envolve estudantes de música e tem muuuitas curiosidades sobre a cidade. A Bárbara fez ums pesquisa detalhada sobre os lugares por onde os personagens passam e sobre acontecimentos verídicos em alguns desses lugares. E tem romance. Só que não é qualquer romance.

Enfim. Leiam. Comprem de presente, espalhem a notícia. O mundo precisa de mais livros de autores "desconhecidos", e ainda mais de mulheres. Vamos mostrar para livrarias e editoras o que estão perdendo em não apoiar novos talentos.

O zig zag da montanha


O avanço ao cume do Kilimanjaro é algo que registramos pouco em fotos e vídeos, mas é a parte da viagem que está gravada na memória com mais força. Uma das imagens mais fortes, que imediatamente me vem a cabeça quando começo a falar dessa noite/dia de escalada, é um zig zag de pontinhos iluminados montanha acima.

Eu explico: como saímos do acampamento base a meia noite, é preciso usar a lanterna de cabeça no percurso até a luz do dia dar as caras. A gente não vê nada, apenas aquele foco de luz saindo da nossa testa e iluminando os passos da pessoa que está na nossa frente. Ficamos de cabeça baixa o tempo todo, concentrados, em silêncio, apenas ouvindo nossa própria respiração - que custa a sair - e também a dos companheiros. Falamos apenas o necessário (como: preciso parar um pouco), com medo de que qualquer interrupção atrapalhe a caminhada que vai a passos muito lentos.

Em um desses momentos, meu pescoço começou a doer, afinal a gente fica olhando pra baixo. Resolvi dar uma esticada e olhei pra cima...

Lá estava, o zig zag de pontinhos iluminados. Eram pessoas que estavam mais avançadas do que a gente, bem mais pra cima, e suas lanternas demarcavam o desenho da trilha. Naquele momento eu não sabia se ria ou chorava: era algo bonito de se ver, mas me fazia pensar que eu tinha ainda aquilo tudo pra subir. E era uma parede, e não uma ladeira. Sabe quando você está parada no engarrafamento e só consegue ver a luz vermelha dos carros parados até perder de vista?

Nesse caso, a impressão que eu tinha é que a encosta do Kilimanjaro era totalmente vertical. Bateu um desespero, mas eu não conseguia parar de olhar. Era muito bonito. E havia um ponto onde as luzinhas das lanternas se misturavam as estrelas. Ali, com pouco oxigênio, meio desidratada, muito cansada e com muito frio, a gente dá umas alucinadas. Fixava meu olhar em um pontinho e não sabia se era uma estrela ou uma pessoa já quase chegando na cratera do Kilimanjaro, mais precisamente no Gilman's Point, a primeira parada do topo.

O consolo é que haviam pontinhos abaixo de nós também. Eu me pergunto se eles olhavam pra cima e sentiam a mesma coisa que eu senti naquele momento.

Já na cratera do Kili, chegando no Uhuru Peak, o ponto mais alto. Lá na frente está o Monte Mawenzi.



Mulheres incríveis e seus legados: um passeio guiado em Londres


Modéstia a parte, eu sou uma pessoa que vive tendo ideias. Tenho ideia para uns 50 guias de viagem, de produtos para vender, de palestras, de projetos pro blog. Mas da ideia para a prática, como muita gente sabe, a história é outra. Por isso, quando eu alcanço uma meta, como a publicação do meu guia em 2015, minha primeira meia maratona ano passado e o Kilimanjaro esse ano, eu falo e fala e falo sem parar sobre isso.

A ideia concretizada mais recente é o lançamento de um passeio guiado em Londres. Estava pensando nisso acho que há mais de um ano, e finalmente - depois de vários testes e muita pesquisa - anunciei três datas. Esse passeio une duas das coisas que mais amo, Londres e feminismo. Não é maravilhoso?

O passeio chama "Mulheres incríveis e seus legados". Tem 3 horas de duração, e feito todo a pé pelo centro de Londres (começa na estação de Green Park e termina na ponte de Westminster) e em 15 paradas a gente passa por monumentos, casas, museus e lugares icônicos para falar de muitas mulheres que fizeram muito pela humanidade.

O valor pessoa é de £14, que eu peço que sejam pagos antecipadamente. Todas as datas (até agora são 3: 20/7, 6/8 e 30/9) tem seu próprio evento na página do Facebook do Conexão Feminista, juntamente com o link para fazer o pagamento. Caso você não acesse o Facebook, fale comigo!

E quem não estiver em Londres em nenhuma das datas e quiser um tour privado, também dê um alô.

Links para mais informações e para comprar seu ingresso:

Dia 20/7: https://www.facebook.com/events/1595997217100236/
Dia 06/8: https://www.facebook.com/events/100601007248413/
Dia 30/9: https://www.facebook.com/events/249469345540454/